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Música

Todas as faixas do disco 12:00 da banda Rieg dialogam entre si ao contar história peculiar com fitas de VHS [ENTREVISTA]

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Foto: Rafael Passos

 

Algo diferente, foi o que fez o trio Rieg. Os caras tiveram a ousadia de fazer um álbum com 13 faixas que dialogam entre si, ao contar a história de um garoto que tem de lidar com algumas verdades sobre seu falecido pai após encontrar no porão de sua casa fitas VHS escondidas. As letras estão em inglês, já que um dos integrantes é Rieg R, vocalista do trio que é alemão e americano. É certo também que não há fronteiras para esse álbum.

“Eu acho muito curioso essa ideia de gravar um momento (de um vídeo ou de uma música) e ressignificá-lo. Quando você vê uma fita k7 mixtape sua depois de muito tempo, aquilo às vezes parece estranho. Foi um momento da sua vida, mas parece às vezes uma pessoa totalmente diferente. Eu acho que isso acontece com o ser humano também, nas nossas relações familiares, amorosas, que seja. Tudo está dentro de momento e de um contexto. As vezes é interessante sair um pouco desse contexto e tentar analisar de fora.”, comentou Rieg R.

 

Abaixo, você confere uma entrevista na íntegra com um dos integrantes da banda.

 

 

O disco conta a história de um garoto que tem de lidar com algumas verdades sobre seu falecido pai após encontrar no porão de sua casa fitas VHS escondidas. Como chegaram nessa temática?

Na minha infância eu já gostava muito de colecionar e gravar fitas VHS. Poderia ser de tudo mesmo. Acordado de madrugada gravando filmes B da TV, gravando coisa em cima da outra e assistindo novamente depois. Temos muitas fitas VHS em casa ainda, sem menor ideia de que tem nelas.

Hoje em dia eu faço parte de comunidade de “Video Mixtape”, que são pessoas que trocam esse tipo de fita VHS. É uma cultura talvez parecida com a mixtape de fita k7 também. Uma compilação, às vezes aleatória, às vezes temática, mas feito em casa de forma meio artesanal.

Aqui em relação a narrativa do disco, é uma junção dessas ideias. São músicas recontextualizadas, são vídeos recontextualizadas e são pessoas recontextualizadas. Às vezes a nossa ideia de pai (ou mãe, etc) muda, e também a ideologia dos nossos pais. Não tem um certo ou errado, mas sim, momentos captados.

 

De uma maneira geral, como funciona a temática e as histórias contidas nas faixas do álbum?

Cada música conta e acompanha um pouco da narrativa geral do álbum, passando pelos vários momentos e ‘transtornos psicológicos’ do pai. O disco começa com a música 12:00, que é o momento em que o adolescente começa a entrar nesse mundo desconhecido de fantasia do pai dentro do porão, e coloca a primeira fita VHS pra rodar. Em seguida é a música TERRIBLE INC que é a empresa fictícia que faz essa tecnologia de você ser sugado para esse mundo bizarro dos VHS que revelam as verdades.  LEAVE IT TO ME é o menino sendo levado para esse caminho da Terrible Inc, ficando imerso no universo de coisas estranhas, assustadoras e ambíguas, mostrando todo um lado novo desse, até então, pai tão fechado e enigmático. Mas também não posso revelar tudo das músicas, porque eu quero ver quais ligações você(s) fazem.

Isso tudo também acompanha uma narrativa visual que será mais clara quando lançarmos o DVD em breve!

 

A parte musical do disco parece ser MUITO interessante. Quais foram suas influências? E como vocês definiriam o álbum musicalmente

Todas as músicas tentam refletir essa ideia do mixtape. Trabalhamos muito com samples (recortes e recontextualizações de outras músicas), mas também com samples visuais. Então, levando a ideia que de num mixtape você pode ter todo tipo de estilo, naturalmente nossas músicas flertaram com muitos estilos musicais, que vai ao Trip-hop ao pop experimental e indie rock.  

 

Porque o nome 12:00?

O álbum se baseia muito nessa ambiguidade de ponto de vista. “É twelve? É meio dia? É meia noite? É doze horas?“ Toda temática foi em cima de ressignificação e recontextualização de ideias, samples, momentos, até o título brinca um pouco com isso.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Um fato interessante, talvez, é que o álbum não tem guitarra gravada.  Tínhamos um guitarrista, mas no início do processo de criação ele teve que sair para gravar outro projeto. A partir disso, assumimos essa falta e fomos embora.

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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