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Clipe

[ENTREVISTA] Viaje em paz no tranquilizante clipe do gaúcho Olnei Teixeira

Matheus Luzi

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Olnei Teixeira

(Crédito: Leonardo Peixoto)

 

A beleza da chegada da primavera e a delícia dos cantos livres dos pássaros foram as inspirações para o cantor, compositor e violinista gaúcho Olnei Teixeira, expressar seu sagrado amor pela natureza na canção “A Paz Deste Lugar” composta e lançada em 2018, cuja referência ao chimarrão encanta. Indispensável dizer que brilha entre muitos o verso “Não tem intriga, nem inveja ou ganância”, na qual se refere a pureza dos animais.

“Essa música foi bem interessante e surgiu na entrada da primavera quando os pássaros gorjeiam e fazem seus ninhos. Num determinado momento, havia um sabiá que fez um ninho onde eu trabalho e então falei para um colega que ia fazer uma música que falasse do pássaro. Comecei a escrever a letra e melodia, gostei da ideia que inclui no Recital de Formatura no curso que concluí.”, conta Olnei.

 

 

LIBERDADE PARA VOAR

Apaixonado pela natureza e seus encantos, Olnei sempre repudiou a solidão dos pássaros que vivem presos em gaiolas. Com isso, o artista procura na natureza um ponto de partida para suas músicas porque acredita ser uma forma de libertar as pessoas que vivem na loucura de um mundo cada vez mais agitada e menos humano.

Essa é a essência de Olnei, que afirma que “Com a música, estou procurando entender o meu lugar nesse universo criado por Deus”.

 

SOBRE OLNEI TEIXEIRA

(Capa do EP “Ali Reina a Confiança”)

Natural de Palmeira das Missões – RS, Olnei se encantou pela música ainda criança, sob forte influência de seu pai que também canta e toca. Então, começou a compor e foi conhecendo suas maiores influências, Renato Teixeira, Almir Sater, Marcello Caminha, Wilson Paim, Alceu Valença, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Teixeirinha, Elton Saldanha.

Em 1976, Olnei se mudou para outra cidade do Rio Grande do Sul, São Leopoldo, onde reside atualmente e onde considera ter sido fundamental para sua produção musical e sua vida pessoal.

O artista participou do Festival do SESI e o Festival da Cidade de Três Coroas – RS, e o seu primeiro EP foi lançado em 2018, com o nome “Ali Reina a Confiança”.

 

– Em “A Paz deste lugar”, a bela e pacificadora canção que abre o EP, há uma importante reflexão nos bastidores. Até onde eu sei, foi por meio de um simples sabiá que a inspiração nasceu. Quero muito que você comente esse momento, e para o público leitor, dizer como as coisas simples da vida podem se tornar grandes obras.

Sim esse é o ponto da inspiração, ainda comentei com um colega: “vou compor uma canção falando no pássaro sábia.” Que nas idas e vindas construía seu ninho para abrigar os seus filhotinhos, me chamou a atenção da simplicidade e leveza que usava os raminhos junto com outros matérias que buscava. A natureza é perfeita e as simples tarefas de nossa vida no final tornam-se uma grande obra, basta darmos o valor e a atenção que cada atividade merece e nunca perder o foco. Intempéries vai haver, mas devemos saber o que queremos e esperar o tempo de Deus, ele sabe o momento certo para nos dar o que buscamos.

 

– Ainda sobre essa faixa, para mim, o verso mais bonito é: “Não tem intriga, nem inveja ou ganância”.

A começar eu não havia percebido a relevância desse verso, já que ele estava dentro do contexto de valorização das maravilhas da natureza, no entanto, a partir da sua colocação, chamou-me atenção o maior interesse por esse pequeno trecho, que reforça e manifesta meu sincero desejo de que nos espelhemos nesta bela e pura obra de Deus. Pode ser um pouco de utopia de minha parte, porém confio firmemente que se seguíssemos tais exemplos poderíamos viver melhor, aprendemos muito pela observação, ou melhor, pela contemplação dessas riquezas naturais.

 

Musicalmente falando, e numa visão pessoal, “Lamentos” e sua melancolia são incríveis. Você pode explicar melhor essa canção?

Os nossos sentimentos têm relação direta com as circunstâncias do nosso dia a dia. Dentro disso, por vezes estamos cansados. outros tempos entusiasmados, maravilhados ou desanimados, e assim segue-se uma constante contraposição, então tudo que está ao nosso redor torna-se uma oportunidade de expressar nossa dor ou alegria. Desta forma, surgiu esta canção, a partir das representações naturais da brisa, das folhas, da lua, das nuvens, ou mesmo, o sopro do vento, as ondas no mar, deserto e miragem são realidades que propriamente não sentimos, porém servem para explicar o inexplicável, ou seja, os sentimentos.

 

 

– Nas quatro canções do EP, a gente sente muito a presença da cultura gaúcha, tanto nas letras quanto nos ritmos e em toda sua energia. O que você acha que essa cultura torna diferente a sua veia artística?

A cultura gaúcha é muito latente em nosso ser, a família insere as bases da tradição e depois tem as referências que marcam, por exemplo, o pai que canta, também os tios. Além disso, os grandes mestres com os quais estudei, como: Maurício Marques, Marcello Caminha. Mas o que torna diferente na minha veia artística é ter a presença cultural e sempre buscar novos desafios e agregar valores naturais de conhecimentos para novas gerações.

 

– Você diz que a música vem servindo, desde sua infância, para se encontrar, e em suas próprias palavras, “Com a música, estou procurando entender o meu lugar nesse universo criado por Deus”.

Correto. Eu sinto que a música tem a magia de transformar as pessoas, por exemplo, a musicoterapia que ajuda muito as pessoas e crianças em seus tratamentos, ouvir uma canção com melodia suave faz me sentir calmo e recuperar as energias.

 

– A sua música tem a missão de leva paz as pessoas?

Então, essa é a intenção compor com a alma, com o coração e com espiritualidade, o objetivo é conseguir que as pessoas ao ouvir e apreciar minhas canções, consigam se sentir mais calma, isto é a maior gratificação para mim.

 

– Você nasceu em 1964, mas só em 2018 conseguiu lançar um EP. Por que isso aconteceu?

As circunstâncias de minha vida, especialmente na juventude a migração com a família do interior para a capital, dificultaram e, por sua vez, não permitiram a realização de tão terno sonho. Agora, surgiu um pequeno caminho, a concretização deste antigo desejo e não pude deixar escapar a oportunidade de deixar registradas as composições que fiz, ainda que nem todas estejam publicadas. Espero com elas poder ajudar as pessoas a terem essa experiência que fiz da música. Para tanto, tive o incansável apoio da minha família, o que é muito importante nessa decisão. Fora isso, os recursos financeiros para a produção são bastantes onerosos.

 

– Como você enxerga sua música, poética e musicalmente?

Bom, na minha percepção poética maior é natureza, a chave para as composições; depois, o que sai da alma, o que guardo em meu coração: sentimentos bons e gratidão pela vida. Nisso uso da musicalidade para dividir tal alegria com as pessoas.

 

– Você tem alguma(s) história(s) e/ou curiosidade(s) para nos contar?

Eu junto a um amigo com quem formava dupla tivemos a oportunidade de apresentarmo-nos num evento na praça pública da cidade de São Leopoldo. Para isso tínhamos nos preparado e como de costume levamos uma pasta para garantia e para olharmos a letra e cifra durante a apresentação, no entanto, naquele dia tinha uma ventania intensa, e tão logo começamos a cantar as folhas mudaram de posição e outras voaram e por isso, tivemos que seguir sem mais a segurança que o papel nos transmitia. Conseguimos cumprir com o show, e sorrimos muito pelo acontecido, isso serviu para criar uma melhor performance e desenvoltura no palco, apesar das circunstâncias serem diferentes do planejado.

 

– Sinta-se à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Por fim, quero agradecer a Revista Arte Brasileira, Matheus, por essa oportunidade de estar contando um pouco de minha vivência com a música e fatos relevantes que leva a gente viver intensamente cada momento dessa arte tão sublime que Deus deixou-nos para apreciarmos.

Sou grato a minha esposa e meus filhos, pelo apoio e motivação que me faz dedicar-me a essa arte.

Também tenho composições gravada pelo meu pai Gaúcho Palmeira e os meus amigos do Grupo Maneadores, que tiveram participação na gravação do EP, o acordeonista Janir Vitor e o vocalista Anderson Moreira interpretando a música “Memória”, nessa canção também tem a participação do mestre Maurício Marques no violão.

Agradecer ao produtor Ramon Reichert, Single Produtora e Leonardo Peixoto pelas fotos e vídeo.

Dizer que as músicas estão disponíveis no spotify, deezer, youtube, além, é claro, do próprio EP. Cabe também ressaltar minha página no facebook e instagram. Muito obrigado.

 

 

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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1 Comentário

1 Comentário

  1. Avatar

    Jonas

    dezembro 30, 2019 at 7:24 pm

    Que baita entrevista, loco de especial.
    Show, parabéns!

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