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“O livro é um retrato 3×4 de cada um de nós”, conta o poeta Brendow sobre seu novo lançamento

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Meu nome é Brendow H. Godoi, tenho 25 anos e sou mineiro de Belo Horizonte. Sou advogado, formado pela PUC Minas e pós-graduado em Gestão Fiscal e Tributária, também pela PUC Minas. Sou especialista em Direito Tributário. Atualmente tenho um escritório de advocacia na cidade de Betim, onde trabalho com meu sócio.

Sinto que a minha história com a literatura vem de outras vidas, é algo sobrenatural, que está enraizado na esquina mais sombria e profunda da minha alma. Escrevo desde quando fui alfabetizado. Aos sete anos, ganhei meu primeiro prémio literário: um concurso escolar.

A METAFÍSICA POÉTICA de Brendow

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Em 2014 eu criei a página “A Metafísica Poética” no Facebook. Lembro que naquela época, eu abordava as pessoas no chat e as pedia para lerem meus poemas e para curtirem a página, que tinha 100 seguidores. Hoje, cinco anos depois, a página conta com 220 mil seguidores. É a maior página da minha cidade e uma das maiores páginas de literatura autoral do Brasil.

Fui publicado pelas maiores páginas culturais do país (Brasileiríssimos, Mais Brasil e etc). Fui crescendo a página, migrei para o Instagram e angariei um público fiel, ferrenho e amigo.

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BRENDOW JÁ LANÇOU TRÊS LIVROS

brendowTambém em 2014 eu publiquei o me primeiro livro: uma coletânea de poesias chamada “Palavra é arte”, por uma editora da Bahia. Foi um trabalho extremamente amador, com uma tiragem pequena. Vendi todos (para amigos e familiares) e ali, senti que não seria o último livro de “Brendow”.

Em 2017 lancei o romance “Quente, feito Tequila”, que eu considero ser o meu grande trabalho até hoje. O livro foi publicado pela editora Penalux, de São Paulo. Ele conta a história de Carolina S. Medeiros, uma jovem prostituta lésbica, de luxo, que saiu do interior de Minas Gerais rumo à Belo Horizonte com o sonho de ser escritora. A menina se transformou em Tequila, uma arrebatadora ruiva alcoólatra, órfã de pai e mãe e com a cabeça desgraçada por amores pretéritos. O livro possui densos elementos sexuais, escatológicos, violentos e poéticos. Temas como homossexualismos, religião, corrupção e política são abordados. Há uma crítica social por trás de cada capítulo. O livro é um símbolo da literatura marginal brasileira.

Em 2019 publiquei o meu mais recente trabalho, o “Pólvora”. Ele é uma miscelânea de contos e poesias. Fala de abuso de drogas, transtornos psicológicos, sexo, desgraças, suicídio, ansiedade, depressão, amor, alcoolismo, assassinatos, histórias frustradas e lembranças atormentadoras. É um livro infestado de gatilhos, que em rendeu milhares de cópias vendidas. Ele está indo para a quarta tiragem de exemplares.

Tenho pelo menos três projetos de livros para serem publicados no futuro. Até o final do ano, publicarei um de contos. Estou conversando com algumas editoras e concluindo a obra.  

BOM SABER!

brendowAcredito que em cada fase da minha vida, um grupo específico de autores me inspirou a escrever. Sou um cara que estuda muito, que tem sede de evolução e aperfeiçoamento. O grande sonho da minha vida é ganhar o Prêmio Jabuti. Trabalho incessantemente para atingir esse objetivo. Quem me conhece, sabe que esse prêmio é a minha obsessão. Não escrevo por hobby ou por distração. Escrevo como se eu fosse morrer no dia seguinte, escrevo para ser o melhor um dia, para deixar meu nome na história, no livro de literatura escolar dos meus netos e bisnetos.

Dentre as minhas principais leituras estão Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Charles Bukowski, Ferreira Gullar, Vinícius de Moraes, Franz Kafka, Lima Barreto, Roberto Piva, Bocage, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes e Ernest Hemingway. Possuo uma forte influência de poetas musicais como Noel Rosa, Cartola, Cazuza, Belchior e Wilson Batista.

Brendow

Brendow, você conquistou reconhecimento por meio da internet. Acho muito válido você dar sua opinião sobre as mudanças que a literatura tem passado nos últimos tempos: linguagem, inspirações e formatos (impresso X digital).

Sim, o meu trabalho foi reconhecido primeiramente na internet. Isso foi em meados de 2012, 2013. De lá pra cá, bastante coisa mudou no cenário “literário digital”. A sensação que tenho, é que a cada ano que passa, os bons poetas morrem ou desaparecem, e o que resta, é uma literatura absurdamente instantânea, fútil e rasa. Quem me conhece, sabe que eu utilizo muito a expressão “poetas de internet”, para me referir àqueles que prostituem a arte escrita pelos likes e pela mídia. Claro que existem poetas e escritores incríveis internet afora, mas a grande maioria são pessoas produzindo frases pífias sobre desenvolvimento pessoal e superação de relacionamento. Coisas do tipo “moça, não chore. Você é linda”. E bom, tragicamente, esse é o tipo de conteúdo que as pessoas consomem hoje em dia. É o que vende. 

 

Ainda com foco na primeira pergunta. Vejo muita gente dizendo que a literatura está morrendo. Você concorda?

Concordo e não concordo. Dias desses participei de uma discussão com alguns amigos escritores. Estávamos tentando eleger um grande nome que a literatura de 2015 pra cá nos apresentou. Bom, não encontramos. Da mesma forma que não tem nascido mais lendas do rock como Freddie Mercury ou Kurt Kobain. Pelo contrário, estamos perdendo grandes nomes, como Ferreira Gullar, que morreu em 2016, por exemplo. Todavia, percebo que existe uma resistência forte em meio a essa maré negativa. Gente que tem feito literatura sanguínea, que tem amassado a literatura instantânea e se destacado. Gente nova. E isso é muito bom.

Brendow

 

Brendow, qual a trajetória dos últimos cinco anos do seu projeto “Metafisica Poética”? O que nesse tempo, já aconteceu?

Dos últimos cinco anos pra cá, a Metafísica Poética trilhou um caminho de ascensão, arrebatando leitores e alcançando números incríveis. Foi através da página que eu consegui me firmar enquanto escritor e viver profissionalmente da literatura. A Metafísica Poética foi (e é) fundamental para tudo o que sou e pretendo me tornar. Foram três livros publicados e estruturados em cima da página, que já chegou a alcançar 10 milhões de leitores semanalmente.  

 

Você acredita, que por meio dos seus escritos populares, o público tem se interessado mais pela literatura, em especial, os jovens?

Sim, e isso me emociona. Eu já recebi inúmeras mensagens de pessoas que me dizem “cara, eu nunca gostei de ler, mas depois que conheci seus escritos, eu estou fascinado pela leitura”. Isso não tem preço, saca? Saber que você contribuiu com algo tão nobre, que mudou para melhor os hábitos de alguém. A literatura salva, isso é real.

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Você já lançou alguns livros. O que isso significou para você, e como foram os processos de criação, produção, divulgação e vendas?

Cada livro é a materialização de um sonho. Publiquei três livros até agora, e em cada um deles eu disse pra mim mesmo: “não será o último”. O primeiro livro foi um lance mais amador, poético. Publiquei por uma editora da Bahia. Foi uma coletânea de poesias chamada “Palavra é Arte”. Já o segundo me proporcionou coisas incríveis. Foi o romance “Quente, feito Tequila”, publicado pela Editora Penalux, de São Paulo. E por último, o “Pólvora”, que é uma miscelânea de contos e poesias. Estão todos esgotados. Sou muito grato ao meu público pela fidelidade e prestígio. O “Pólvora” foi campeão de vendas, atingiu números incríveis. Superou os outros dois em números. Ele me abriu caminhos que antes eu nunca tinha imaginado. Bom, foi ele que me trouxe até aqui, nesta entrevista.  

 

Quais são suas principais inspirações?

Bom, tem gente que se inspira na felicidade, outros na tristeza, outros em dificuldades. Bom, não é algo muito legal de se dizer, mas o que me leva a escrever é o ódio. Tudo o que eu escrevo é a canalização de uma raiva infernal. Escrever é canalizar o ódio. Você desconta no papel tudo aquilo que te mata por dentro (e tudo aquilo que você que matar interna ou externamente). Acho que é isso. A minha grande inspiração é o ódio. Eu pego ele no colo carinhosamente e o atiro no precipício da literatura. E dá no que dá.

 

Brendow, você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

Uma coisa interessante é que eu tenho treta com a maioria dos escritores da internet. Não suporto quase todos. E eles não me suportam também, o que é uma honra absurda pra mim. Vivemos bem, apesar de tudo.

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– Brendow, acho interessante começarmos essa entrevista com sua declaração sobre o conceito geral do livro.

Bom, o livro é um recorte social trabalhado em figuras de linguagem. Cada conto possui uma mensagem diferente. Cada personagem representa uma metáfora, ou uma analogia, ou um sentimento humano. O livro trata de assuntos corriqueiros como assassinatos, catástrofes, violência doméstica, depressão, corrupção, abuso de drogas. O livro é um retrato 3×4 de cada um de nós.

 

– Ainda nessa questão, como chegou na temática do livro?

O livro é o resultado de anos de estudo e prática da literatura. Depois de quase uma década escrevendo, eu enfim sedimentei o meu “estilo literário” nessa obra. Sempre gostei de misturar o coloquialismo simples e humilde com questões existenciais e profundas. Então, os personagens deste livro são em sua maioria pessoas simples, do dia a dia. Mães solteiras, trabalhadores braçais, miseráveis, desempregados. Mas cada um deles desenvolve reflexões filosóficas absurdas em seus respectivos ambientes, cenários e tramas.

 

 “Tudo o que vemos o tempo todo na TV e nos jornais, está retratado nesses contos”

– Qual a relação que você faz do mundo fictício (este do seu livro), com o mundo real?

O Abismo é um livro de ficção inspirado no mundo real. Nele, os filhos assassinam seus pais e os pais assassinam seus filhos. Políticos corruptos fazem tudo pelo poder. Maridos alcoólatras espancam suas esposas. A sociedade negligencia vidas. Negros e pobres morrem na fila de hospitais e pela violência. Tudo o que vemos o tempo todo na TV e nos jornais, está retratado nesses contos.

 

– Como é a estrutura do livro? Ele é divido em contos?

São vinte e três contos divididos em dois capítulos. A sequência dos contos foi milimetricamente orquestrada. O primeiro capítulo se chama “quedas”. Ele traz contos de impacto imediato, objetivo. Você lê e automaticamente exprime uma reação, entende na hora. O primeiro capítulo possui uma progressão temática no virar das páginas. Ele se encerra tratando do caos social contemporâneo.

Já o segundo capítulo, o “quedas profundas”, traz contos mais arrastados, reflexivos e quase filosóficos. Os personagens começam a rasgar a carne e penetrar para além dos ossos. Eles têm sede do inominável.

 

“Meu único objetivo é angariar admiradores para a literatura. Estamos em tempos literários sombrios”

– Como foram seus momentos de escrita do livro?

De muito estudo. Durante meses, eu me debrucei nos maiores e melhores contistas da literatura brasileira clássica e contemporânea. Rubem Fonseca, Marçal Aquino, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Marcelino Freire, dentre tantos outros monstros. Então, tanto os momentos de escrita quanto o processo de criação foi uma soma de aplicação, comprometimento e esforço. Busquei fazer um trabalho muito profissional, à luz dos meus ídolos, mas sempre mantendo a minha identidade literária.

 

– Qual o impacto que você pretende causar no público com este livro?

Meu único objetivo é angariar admiradores para a literatura. Estamos em tempos literários sombrios. Os livros mais lidos e mais vendidos são de autoajuda, marketing, desenvolvimento pessoal e saúde financeira. Então, eu espero ser digno de mostrar para o leitor que a literatura não morreu, que a arte escrita continua respirando, encarnada em personagens viscerais que estão tentando dizer algo a eles. Personagens que querem mais do que transformar o leitor numa pessoa melhor, ou ajudá-lo com o fim de um relacionamento ou ensiná-lo a ganhar dinheiro. Personagens que querem dar o papo, mandar a real. Fazer raciocinar, doer, se odiar. Falar de realidade. Chega de fugir da realidade, você não acha? A gente precisa enfrentar essa merda pra ser livre. Sair um pouco do conceito de uma sociedade dopada de remédios, preocupada em empreender e lacrar na internet. A literatura quer o seu lugar de volta. 

 

“Cada personagem representa uma metáfora, ou uma analogia, ou um sentimento humano”

– Este é o seu quarto livro. Faça um panorama entre eles.

Eu procurei evoluir em cada um deles. Ser um escritor melhor em cada obra, mais profissional, com mais objetivos para alcançar. Os quatro livros tem a mesma originalidade que eu sempre fiz questão. Sempre optei em ser sincero e escrever simples. Fazer literatura.

 

– Você tem alguma(s) história(s) e/ou curiosidades(s) para nos contar?

Eu considero o “Abismo” um livro importante. Espero que em breve, o tempo confirme isso. Meu objetivo é que as pessoas percebam os detalhes que ele traz. A toada das narrativas, a escolha das palavras, dos termos. Tudo foi pensado.

Meu objetivo é que o leitor entenda não o que está escrito no livro, mas o que NÃO está escrito. Acredito que a maior mensagem, o maior lance do Abismo é aquilo que está nas entrelinhas do que foi contado. O legado desse livro é intangível. Está além do que foi escrito. É isso que eu quero que o leitor entenda: o que eu não escrevi com palavras.

 

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Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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