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Música

“Nossas canções são descrições cotidianas”, diz vocalista da banda Otelo em relação ao EP COISAS DEMAIS

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São temáticas diferentes e muito inspiradas que contemplam o EP COISAS DEMAIS, primeiro na história da banda Otelo, fundada em 2016. Atualmente, com outra formação, o grupo canta e toca as composições de Marco Antonio Miguel, o vocalista, com forte influencia do rock dos anos 80 e 90.

“O EP é uma pequena mostra de nosso som, de nossas possibilidades. Queremos fazer rock pra divertir e refletir. Como muitos que se envolvem com as artes, tentamos nos comunicar com nossa época, questionar nosso modo de viver, falar de amor, desigualdade, racismo, internet, violência, felicidade, temas que qualquer um pode se identificar.”, comentou o vocalista.

A banda que canta letras politizadas, poéticas e irreverentes, é formada por Marco Antonio Miguel (voz), Wagner Ramos (bateria), Rodrigo Godinho (guitarra) e Gabriel Calou (baixo).

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Marco Antonio Miguel, vocalista da banda.

 

 

Me chamou muito a atenção que vocês dizem que cada uma das 3 faixas tem sua característica única. Uma é dançante, a outra reflexiva, e outra “quase romântica”. Fale mais sobre isso.

Ao invés de fazer um EP com um tema homogêneo, como o amor ou a angústia, decidimos gravar alguns dos caminhos que a banda tem. Boa parte de nossas canções são críticas, políticas. Essas três canções tentam mostrar um pouco dessa diversidade temática. Uma narra um encontro casual de um casal na balada, mas também fala de igualdade de gênero. A segunda é uma reflexão de como nos tornamos reféns da ansiedade que a internet traz. A terceira é um irreverente caso de amor, mas que discute a tolerância com a diferença.

 

Vocês iniciaram a banda em 2016. Daquele tempo pra cá, o que mudou? E esse tempo (aproximadamente dois anos) influenciou como no EP?

Com os ensaios, claro, o som foi amadurecendo. A entrada do Rodrigo (guitarrista), há um ano, deu mais peso ao som, eu deixei de tocar violão e me concentrei em cantar. Nesse tempo acho que cada um ganhou mais autonomia pra incorporar sua personalidade ao som. Eu levo as músicas pra banda e cada um é livre pra fazer o que quiser. A gente debate um caminho, mas não tem uma direção pré-definida. Fomos ensaiando, ensaiando, fizemos um show, até sentir que era hora de gravar.

 

A proposta da banda é tocar as composições do vocalista. Como é o processo criativo dele?

É um processo bem intuitivo. Faço a música no violão e depois invento a melodia. Aí fico cantarolando a melodia até encontrar alguma palavra ou frase que me dê uma pista sobre o tema da música. Ás vezes vem tudo de uma vez, como em CANÇÃO QUE TE ANIMA ou 100M DO CHÃO, que só precisei dar um tapa na letra. Às vezes demora, como em COISAS DEMAIS, que tive que ler um monte sobre internet até encontrar as palavras e os sentidos que se encaixavam na melodia.

 

Vocês já têm 11 canções próprias. Por que decidiram gravar somente 3?

Dois motivos: grana e o estágio das canções. Fizemos um show ano passado e a grana que recebemos pagava exatamente um dia de estúdio e a mixagem. Pô, poder gravar sem tirar dinheiro do bolso é excelente. Em apenas um dia, não adiantava querer gravar muita coisa, e achamos que as músicas mais prontas, dentro da proposta de gravar temas diversos, eram essas três.

 

Para vocês, qual seria a “definição” da musicalidade e da parte poética do EP?

Rock, pop-rock, nacional dos anos 80-90. Um som direto, sempre com algum tipo de mensagem. Nossas canções são descrições cotidianas, como quem vê uma fotografia e tenta enxergar o que a foto diz e interpretar seus sentidos. Em nossos temas buscamos os anseios e as angústias que podem ser comuns a qualquer um

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o EP?

Acho que essa coincidência de fazer um show e receber a grana exata para conseguir gravar o EP foi interessante. Era pra lançar o EP há uns dois meses. O Marco Brito redesenhou o logo e fez uma capa com a imagem do Grande Otelo, mas o Spotify não autorizou por uma questão de direitos autorais. Sorte o Gabriel Calou, baixista, também ser designer. Foi ele quem fez a capa.

Na real a gente podia ter gravado bem antes. Quando pensamos nisso, o Wagner Ramos, baterista, torceu o pé. Ao melhorar, o Edu, antigo guitarrista, saiu da banda pra morar na Austrália. Assim, ficamos sem guitarra até encontrar o Rodrigo Godinho. Não tem jeito, independente da nossa vontade, há que respeitar o tempo das coisas

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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