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[ENTREVISTA] Banda República Popular presenteia o Brasil com álbum inspirado na Amazônia

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(Divulgação)

 

A inspiração? A Amazônia, sua cultura e seus ritmos. Essa é uma síntese do que você irá encontrar em “Húmus”, o terceiro álbum da banda República Popular. O grupo, com suas canções regionais, consegue resgatar as raízes amazônicas, em um disco florescido no estado.

A veia psicodélico também se une ao som que o grupo faz. Soma-se a isso, o lado pop e o experimentalismo, na qual a banda  grava com novos instrumentos, arranjos e convidados especiais. 

Apropriando-se de ritmos amazônicos como a toada do Boi de Parintins e o carimbó, banda também apostou no lado eletrônico. “Achamos que ‘Húmus’, com todos seus requintes eletrônicos, pode sim ser considerado um disco de música regional amazonense”, comentou Igor Lobo (violão e vocais). Além dele, a banda é formada por Viktor Judah (vocal e bateria), Vinítius Salomão (vocal e guitarra) e Sérgio Leônidas (vocal e baixo).

“Húmus” é um lançamento da Sagitta Records. Em 2019, a República Popular presenteia o pública com uma turnê de lançamento e gravação do DVD do projeto no Teatro Amazonas, no coração de Manaus.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com os integrantes da República Popular, a respeito do álbum “Húmus”.

 

 

Olá pessoal da banda. É um prazer imenso entrevistar vocês. Primeira pergunta, sabemos que o álbum que estão lançando é pensado nos ritmos amazônicos. De onde surgiu essa visão musical de vocês?

Viktor Judah – Nossa consciência musical se formou num ambiente de Boi-Bumbá e música regional. Mais tarde, na adolescência, quando botamos de fato a mão na massa para produzir algo nosso, a gente migrou pra outros gêneros, como o rock e o pop, mas a raiz amazonense esteve sempre aqui. O “Húmus” acaba sendo o resultado final dessa mistura de influências.

 

Faço a mesma pergunta para a parte poética do disco. Como foi trabalhar essas temáticas? Quais são seus principais assuntos ao longo das 25 faixas?

Vinítius Salomão – Nós não abandonamos nossa forma de falar sobre as coisas como fizemos nos trabalhos anteriores, acho que essa é a grande diferença do “Húmus” em relação a outros álbuns ou músicas regionais do Amazonas atualmente. A gente arriscou falar sobre a vida e os elementos daqui através do nosso linguajar natural, sem forçar gírias e termos típicos, com sinceridade. Esse disco fala bastante sobre o ciclo da vida como um todo, morte e renascimento, mas também aborda o amor geográfico pelo lugar onde se nasceu e cresceu. Há também canções mais simples e de temas cotidianos, como amor, tristeza, essas coisas.

 

Por que decidiram usar dois trabalhos em um só? Qual seria o conceito desses trabalhos?

Sérgio Leônidas – Como temos veias musicais muito plurais, ao longo do processo de composição fomos notando que isso se mantinha vivo nas canções, aí então percebemos que isso é algo muito do Amazonas e seus artistas. Aqui, na música, temos uma cena do regional e outra do alternativo. Nas artes visuais, as pinturas indígenas e o grafite. Temos as danças de rua e o boi-bumbá. Então, pra gente, essa reflexão definiu com perfeição o que é o Amazonas de hoje e como deveríamos retratá-lo nesse álbum, dividindo em duas partes que se complementam. A parte I traz o grandioso verde da mata, épico e colorido. A parte II traz o frio cinza da vida urbana, pequeno e intimista.

 

Quem é (ou quem são) os compositores das canções de “Húmus”?

Igor Lobo – Esse disco tem majoritariamente canções de Vinítius Salomão e Viktor Judah, porém, as principais canções são assinadas por Igor Lobo. Mas todos são compositores e, assim, contribuem nas letras e arranjos um do outro.

 

Também fiquei curioso em entender o nome do disco. Qual seu conceito?

Vinítius Salomão – “Húmus” é um tipo de solo, o mais fértil que existe. É composto de animais e plantas mortos em estado de decomposição. Isso é uma das grandes ironias de natureza, a morte, no final das contas, é o berço mais fértil para a vida. Essa ironia se reflete muito na nossa maneira de contar histórias e sentimentos em nossas canções. Há pouco mais de 3 anos, quando finalizamos nosso primeiro álbum, o passo inicial que demos rumo ao segundo foi decidir que esse seria o título.

 

Em quem vocês se inspiraram? Dá para perceber muitas influências em todas as músicas.

Igor Lobo – É uma lista infinita de inspirações! Podemos listar do mundo da música desde os Beatles até os bois de Parintins, passando por Radiohead e uma pitada de Reginaldo Rossi (risos). A gente também se deixa influenciar muito pelo cinema, por isso podemos dizer que o disco tem uma pegada de musical. Nossos arranjos repletos de samples fazem referência a incontáveis ícones da cultura pop.

 

Onde vocês querem chegar com este trabalho? Quem querem alcançar?

Viktor Judah – Queremos, a princípio, tocar as pessoas do Amazonas, fazer com que se sintam homenageadas e representadas por nossas músicas antes de qualquer coisa. Mas nossa meta é, também, levar o som do nosso lar para outros ares. Queríamos que nossa região fosse olhada como um lugar de riqueza musical assim como outros estados são.

 

Vocês já fizeram ou tem uma lista de cidades a percorrer para levar as músicas do disco?

Sérgio Leônidas – Nossa mira, por enquanto, está no eixo Sul-Sudeste. Já estamos conversando com amigos de lá e, assim que tivermos tudo bem planejado, deveremos estar fazendo nossos primeiros shows nesses lugares!

 

Vocês têm alguma história ou curiosidade interessante que envolva “Húmus” para nos contar?

Vinítius Salomão – Isso é algo que sempre comentamos porque gostamos de lembrar que o Húmus foi feito praticamente inteiro dentro de um quarto. E, na verdade, não poderia ter sido diferente. Que lugar melhor pra pra conceber um trabalho expondo várias de nossas intimidades e reflexões interiores?

 

Deixo vocês livres para comentarem algo que eu não perguntei e que gostariam de ter dito.

Vinítius Salomão – Sabemos que o disco está totalmente contra a maré dos singles e formatos mais atrativos, no entanto, foi importante para nós fechar este ciclo exatamente da forma como foi. Sentimos que concluímos uma fase muito significativa para gente. “Húmus” encerra nossa digestão criativa da mesma forma que nos prepara para um novo passo.

 

 

 

 

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