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Música

[ENTREVISTA] Em primeiro álbum, banda Adorável Clichê mostra toda sua identidade musical e poética

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Foto de Luisa Kinas

 

A banda Adorável Clichê traz em seu primeiro álbum, o “conceito do íntimo”. Em O QUE EXISTE DENTRO DE MIM, o grupo formado em Blumenau (SC) por Gabrielle Philippi (vocal/guitarra), Marlon Lopes
(vocal/guitarra), Lucas Toledo (vocal/baixo) e Diogo Leal (bateria), encarou o desafio de compor, produzir e gravar um trabalho com os mais variados sentimentos, escritos por Gabrielle e com ajuda de Marlon em ARTIFICIAL e POLUIÇÃO.

As músicas que falam de sentimentos como ansiedade, frustração, rotina, entre outros comuns do dia-dia, levaram aproximadamente 1 ano e meio para serem produzidas, tudo feito de forma independente em um homestudio. O próprio indegrante Marlon é quem assina a mixagem e a gravação do álbum, enquanto a master ficou por conta de Guilherme Chiappetta.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Gabrielle Philippi e Marlon Lopes, guitarristas e vocais da banda.

 

 

Esse é o primeiro álbum de vocês. O que vocês acreditam “impor” com ele? Qual o impacto que pretendem causar no público?

Marlon: Creio que identificação com as letras e arranjos. Fazer com que as pessoas notem a sinceridade das músicas. Acho que em todos os momentos que compomos exprimimos realmente os nossos sentimentos mais íntimos. Acredito que as pessoas vão conseguir enxergar isso no álbum e gostar.

Gabrielle: Acho que a pretensão é a conexão emocional. As músicas são todas bem íntimas e confessionais, o objetivo de composição sempre foi ser o mais honesto possível em relação ao sentimento da música e pessoalmente o bom desse “trabalho” é conseguir transformar a própria angústia em conforto pros outros e pra gente através dessa conexão

 

O nome do álbum tem algum conceito?

Marlon: Quando pensei a respeito do nome, queria algo que refletisse o que o conjunto de músicas significava. Sabia que eu gostaria de que fosse um nome composto. Na época eu tive uma vontade de fazer um álbum cujos títulos das músicas, em ordem, formassem um poema, dando um sentido maior ao trabalho. Como notei que isso seria muito difícil naquele momento pois deveria ser algo trabalhado desde a concepção do projeto, tive a ideia de fazer algo semelhante com relação ao título do nosso primeiro EP SÃO TANTOS ANOS SEM DIZER. Juntando as duas premissas surgiu o nome O QUE EXISTE DENTRO DE MIM. Apresentei a ideia pra banda, ainda assim discutimos sobre a possibilidade de outro título, porém decidimos manter a minha proposta.

Gabrielle: Sim. Além de ser uma continuação do título do EP SÃO TANTOS ANOS SEM DIZER, o título do álbum resume o que se encontra no seu conteúdo. São canções íntimas, emocionais, de coisas que muitas vezes não deixamos transparecer pela rotina ser rodeada de relações superficiais em que se não se sente à vontade de se expor.
 

Como vocês trabalham a parte “poética” e “musical” do álbum?

Gabrielle: O objetivo é sempre ser o mais honesto possível, fazer algo que nos toque no íntimo. Isso em relação a conteúdo.  Em relação à estrutura, cada um tem suas neuroses e tiques.

 

Como foi o momento de criação das faixas de O QUE EXISTE DENTRO DE MIM?

Marlon: As minhas participações como letrista se deram em POLUIÇÃO e ARTIFICIAL. No caso de POLUIÇÃO a letra fala de um momento bem específico e íntimo da minha vida. Os versos originais que fiz em casa sofreram algumas modificações feitas pela Gabrielle mas sem perder a essência. Ela ainda juntou isso a um refrão que ela bolou durante um de nossos ensaios. Todos gostaram e senti que casava muito lógica e sentimentalmente com a música. Já em ARTIFICIAL eu havia composto a parte final do coro e o arranjo. Acho que essa foi a música em que a gente realmente colaborou na escrita pois foi algo que pensamos de forma mais coordenada. Eu tinha um conceito pra música mas achava que quem deveria escrever o resto era a Gabrielle e pra mim ela não poderia ter feito um trabalho melhor. Ao fim juntamos tudo e deu no que deu. Quanto aos arranjos a maior parte veio de riffs que eu gravava em casa numas “jam sessions da solidão” (risos). Esses riffs eram levados pros ensaios e lá nós fazíamos outras jams em cima deles criando assim em conjunto o resto do arranjo.  

Gabrielle: Muitas letras surgiram rápido, nos ensaios, outras surgiam no intervalo da faculdade ou quando eu andava de ônibus. Sempre vindas de pensamentos e sentimentos que ficavam martelando durante dias e que eu nem tinha organizado direito – às vezes, só entendendo bem depois da composição. Enquanto outras foram ruminadas. O Marlon me ajudou com POLUIÇÃO (os versos são dele) e ARTIFICIAL (com o momento final). Elas foram compostas num ano em que todos estávamos bem ligados, principalmente eu e o Marlon porque eu ia direto ajudar a produzir e gravar na casa dele, assim conversávamos muito, assim as palavras se misturaram. Acho que essa proximidade de todos foi essencial pro desenvolvimento do álbum.

 

Fale para nós sobre o processo de gravação e produção do álbum, que para mim parece ter sido interessante.

Marlon: A produção foi toda feita através dos ensaios e reuniões no meu quarto, onde gravamos tudo. Nessa parte de pós produção, eu e a gabi nos responsabilizamos mais por isso. Foi um trabalho relativamente longo, até porque fizemos sem pressão. A mix ficou inteiramente por minha conta. Fizemos tudo isso com basicamente um notebook com Windows, uma placa “M-Audio” de dois canais, um microfone “Blue Spark” e um controlador midi. Perdemos algumas músicas no meio do caminho por causa de erros no computador e falhas no meu cérebro (risos). Enfim, mesmo com todas as dificuldades de tempo para nos reunirmos, limitações operacionais e monetárias conseguimos um resultado legal. Por meio de algumas dicas de gente mais experiente, mandamos a master para os cuidados do Guilherme Chiappetta, que já trabalhou com Raça e Terno Rei. O resultado nos agradou muito e ficamos muito felizes com a colaboração dele para com o nosso som.

Gabrielle: Gravamos tudo na casa do marlon usando o seu notebook que constantemente travava, um microfone muito bom, uma placa de áudio, uma guitarra e um teclado. Perdemos duas vezes, duas músicas, gravamos e regravamos todas. Tudo durou um ano e meio mais ou menos. Todos nós metemos na produção, mas o Marlon que liderou o processo.
 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Marlon: Tivemos de gravar ARTIFICIAl e POLUIÇÃO duas vezes cada pois houveram problemas com os arquivos e falhas na minha cabeça. Enfim, acontece.

Gabrielle: Além dos acidentes de perda de arquivos, demoramos quase 6 meses pra decidir a capa porque depois de tanto trabalho nas músicas estava todo mundo ansioso e inseguro. Mas desde que fizemos a oficial, na varanda do Marlon, eu, ele e o nosso designer Protski, eu sempre soube que seria ela.

 

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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