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[ENTREVISTA] Depois de mais de duas décadas, banda Sr. Banana lança inéditas

Matheus Luzi

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Em 1995 pela lendária gravadora Virgin Records, a Sr. Banana emplacava seu álbum de estreia, com cinco faixas inéditas. E muitos anos após, em 2018, voltam a ativa, e o presente especial é o EP Mono 2020, que em suas cinco canções, revelam uma nova, e mais forte banda. O lançamento é assinado Midas Music, do famoso produtor musical brasileiro Rick Bonadio.

Do EP, o primeiro aperitivo veio com o nome de “Olhos Verdes”, que em formato de clipe, já passou a marca de um milhão de views no Youtube. No ano de retorno do grupo aos palcos e em lançamentos, lançaram as bem recebidas pela crítica, “Não Vá” e “Pura Confusão”. Na sequência, vieram “Dignidade”, “Chega de Mentiras” e a famosa “Olhos Verdes”, já citada anteriormente.

Artistas como Bob Marley e a banda inglesa The Beatles, como exemplo, ainda continuam fortalecendo as referências musicais da Sr. Banana. O som da banda também está sob inspiração de novos artistas do cenário Pop, como Bruno Mars, Maroon 5, Jack Johnson, entre tantos outros.

 

SOBRE A BANDA

Rock, reggae, dacehall, ska e reggaeton. Essas são as misturas que formam a característica sonoridade do conjunto. Direto de curitiba, o sucesso veio em 1995, quando lançaram o álbum homônimo, com lançamento pela britânica Virgin Records, a primeira aposta da gravadora em território brasileiro.

Outra curiosidade é que o disco teve produção musical assinada por George Fully, baixista da banda Peter Tosh, considerada um dos pioneiros no gênero reggae. O sucesso do álbum levou o grupo a integrar o Top 20 da MTV, com as faixas “Dignidade”, “Tenho que ver”, “Encontrar” e “Ritmo da Chuva”, uma versão ska da jovem guarda. 

Um ano após a estreia discográfica, a banda garantiu sucesso a nível internacional, se apresentando na Jamaica no festival Sunfest, ao lado de nomes como Shaggy e Maxi Priest

 

Matheus Luzi – Acho bem óbvia essa pergunta, mas me parece curiosa. O que vem a ser o nome “Sr. Banana”?

O Sr. Banana é um primata, ou um homem primata que vive numa República das Bananas em um capitalismo selvagem, como fala a música dos Titãs.

Além disso, o comércio naval da banana pelos mares do Caribe foi responsável pela difusão do reggae pelo mundo. Esse comércio ocorria através do Bananas Boats, imortalizados pela música de Harry Belafont.

“Banana” é uma palavra universal que também significa um ato de protesto: mandar uma banana para algo, alguém, uma situação uma ideia que tem uma conexão com a música jovem e a mensagem do reggae e do rock.

 

Matheus Luzi – Há duas questões interessantes que aconteceram em 1995, quando vocês lançaram o disco de estreia. A primeira é que a gravação rolou pela importante gravadora britânica Virgin, que foi a primeira aposta deles em território brasileiro. Contem para nós essa experiência e relação com a gravadora.

Uma oportunidade grandiosa e única. Ser a primeira aposta da Virgin no Brasil, reconhecida mundialmente como uma grande gravadora inovadora presidida por um dos maiores empreendedores do mundo nos fez ter uma visibilidade sem precedentes na época, que marcou o nome Sr. Banana para sempre no mercado de entretenimento brasileiro, nos ajudando muito agora no nosso retorno, 20 anos depois.

Na época a Virgin fretou um avião e trouxe os principais players do mercado de música, rádio e televisão para Curitiba para assistirem ao lançamento do primeiro disco do Sr. Banana, o homônimo “Sr. Banana”, de 1995. Quem veio, nunca vai esquecer daquela super festa promovida pela gravadora Virgin aqui em Curitiba.

Tocamos nos maiores palcos do Brasil ao lado das maiores bandas do rock brasileiro, como Paralamas, Titãs, Fernanda Abreu, Mamonas, Cidade Negra, além de shows com bandas internacionais como Bom Jovi, Big Mountain, The Wailers, Pato Banton, Gang Gajang. Clipes entre os mais tocados na MTV Brasil, duas músicas em novelas da Globo, além de sermos campeões Brasileiros do RockGol, também promovido pela MTV, e termos representado o Brasil no maior festival de reggae da Jamaica, o SunFest, tocando ao lado de Shaggy e Maxi Priest.

 

Matheus Luzi – A segunda curiosidade é que o disco em questão foi produzido pelo baixista da banda de Peter Tosh: George Fully. Detalhe para nós esse momento.

Ele foi uma pessoa muito atenciosa e cuidadosa no trabalho com a banda, no trato com cada um de nós. Detalhista nos arranjos de baixos, metais e cordas, tornou nosso som mais roots e até mais antiquado para a época, tirando samplers, loops e arranjos mais modernos que existiam em nossas músicas e fitas demos.

 

 

Matheus Luzi – Naquela época, não era muito simples entrar nos top list da MTV. Era praticamente o único lugar onde a música reinava. Acho válido vocês fazerem uma ligação entre esses meios de divulgação mais tradicionais com a internet.

Sim, hoje em dia é muito mais simples e democrático com a internet, youtube e plataformas digitais, mais muito mais diluído, fazendo que as bandas ainda necessitem das rádios, televisões e grandes shows para atingir o grande público que consome música no Brasil.

 

Matheus Luzi – Bom, agora vamos ao clipe. O que vocês trazem de novidade em “Olhos Verdes”? Qual o conceito musical e poético do trabalho como um todo?

Esse novo trabalho traz a grife de um dos maiores produtores da história do rock nacional, Rick Bonadio. Ele e sua equipe produziram Charlie Brown Junior, Vitor Kley, CPM 22, Mamonas, Titãs e tantos outros artistas.

Então, o trabalho veio de forma mais amadurecida e completa, pois gravamos um EP com cinco músicas autorais e inéditas, alcançando um material mais maduro e mais bem acabado, condizente com a atual idade da banda.

O EP “Mono 2020” traz a “Olhos verdes”, single que foi lançado no final de agosto de 2019 e já é a música mais tocada do Sr. Banana nas rádios do Brasil em todos os tempos, tocando literalmente em todos os estados brasileiros e já superando as 18.000 execuções radiofônicas em todo o território nacional.

 

Matheus Luzi – Depois de duas décadas, vocês voltam aos palcos. Uma das missões é a divulgação do livro “Uma Fina Camada de Gelo”, que conta a história do rock autoral de Curitiba. Explique para nós essas novidades.

A banda só voltou para tocar no lançamento do Livro “Fina Camada de Gelo”. Mas foi legal, gostamos e o público gostou. Assinamos contrato com a Sony Music e lançamos dois singles, “Não Vá”, que teve uma ótima execução nas rádios, e depois “Pura Confusão”, que teve clipe produzido pelo Kondzilla, ambas produzidas pelo Mister Jam. 

O livro escrito por Eduardo Mercer é fantástico e conta fatos e versões de uma época importante da juventude e da cultura de Curitiba, onde músicos e bandas locais disputavam espaços e faziam música com muito trabalho, dedicação estudo e estratégia, numa época que o mercado fonográfico permitia sonharmos com ascensão social, cultural e econômica. 

 

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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