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Entrevista

“Cada vez que componho, fico sabendo um pouco mais de mim mesmo”, diz Antonio Villeroy em entrevista

Matheus Luzi

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(Foto de Bebeto Alves)

 

Escolher o caminho da música não é tão fácil, e conseguir consagrar-se como compositor, intérprete, multi-instrumentista e produtor musical, é para poucos. Essa façanha foi alcançada por Antonio Villeroy, que tem hoje, mais de 250 canções gravadas por mais de 110 artistas do Brasil e de outros países das Américas, Europa e Africa. Alguns desses sucessos fizeram parte de trilhas sonoras de filmes, novelas e minisséries no Brasil e exterior.

Repare bem na lista de artistas gravaram músicas de Antonio: do Brasil, Ana Carolina, Gal Costa, Ivan Lins, João Donato, Maria Bethânia, Maria Gadú, Mart’nália, Moska, Preta Gil, Seu Jorge e Zizi Possi; da Italia, Chiara Civello e Mario Biondi; dos Estados Unidos, Don Grusin, Jesse Harris e John Legend; da Argentina, Dolores Solá; do continente africano, Lokua Kanza (RDC) e Alune Wade (Senegal), entre outros artistas ao redor do mundo.

O músico está comemorando 38 anos de estrada, com o show “Luz Acesa”.

Como essa história não poderia passar em branco, resolvemos entrevistar o artista. As respostas, você confere a seguir:

 

“Garganta” é um dos mais maiores sucessos compostos por Antonio, e que recebeu o brilho vocal de Ana Carolina.

 

Antes de se dedicar a música como profissão, você estava cursando o curso de agronomia. Como foi essa decisão de levar a música como principal projeto de vida?

A música sempre fez parte de minha vida. Há várias fotos da minha infância em que estou perto da eletrola, daquelas antigas, um móvel antigo com as caixas embutidas e onde se colocavam 5 discos empilhados, que iam se sucedendo à medida em que o anterior terminava. Ouvíamos música clássica, serestas, samba, tango, jazz, bossa nova e música regional. A “5ª Sinfonia de Beethoven” era um dos maiores hits lá em casa. E, para mim tudo era música de São Gabriel, minha cidade natal e, que até certa idade era tudo o que eu conhecia do mundo. Meu pai tocava violão e piano, mas não como profissão. Ele e minha mãe eram advogados.

No Natal de 1975, eu e meus irmãos ganhamos de presente um violão, pois o pai não deixava que a gente mexesse muito nos instrumentos dele, com medo de que pudéssemos estraga-los.  Mas ao termos nosso próprio violão, eu, então com 13 anos, mediatamente meu interessei mais por compor do que por executar músicas já existentes. Essas eram uma forma de aprendizado, para conhecer os acordes e sequências harmônicas.

Mas não pensava em seguir uma carreira artística e, em 1980, entrei na Faculdade de Agronomia na UFRGS e na faculdade de Economia na PUC. Tentei levar os dois cursos, mas acabei optando pela Agronomia, até porque a mensalidade da PUC era muito cara.

Nessa época já umas 50 composições. E meu irmão, Gastão Villeroy, que hoje também trabalha com música, lá por julho de 1981 passou a me falar insistentemente que eu deveria fazer um show, para mostrar minhas canções para um público maior.

E foi naquele ano que prestei meu exame na OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) e passei a trabalhar com música, mas ainda como uma atividade secundária. Estava começando um movimento musical novo no RS, que se abria em leque, com a música regional, a música urbana, o jazz e o rock, com vários locais surgindo para se tocar. Comecei a viajar pelo interior do Estado e, quando vi, entre 1982 e 1983, a música me pegou pelo braço e eu não soube, nem quis, lhe dizer não. E foi com a música que passei a conhecer boa parte do mundo, das pessoas com quem convivo e foi ela que me fez ser quem hoje eu sou.

 

 

O que a música representa para você?

A música, em primeiro lugar, é, para mim, uma forma de conhecimento e de interpretação, a começar por mim mesmo. Cada vez que componho, fico sabendo um pouco mais de mim mesmo. É uma espécie de divã. Mas também uma forma de transcendência. Ouvir música é uma maneira bonita de se conhecer e entender o mundo, a humanidade e sua história, de ver em que ponto estamos da nossa civilização, de reinterpretar através da estética o que estamos fazendo aqui e onde queremos chegar. Portanto, ouvir e fazer música são atividades complementares que me ajudam a ressignificar minha existência.

 

 

Você tem um gênero musical que mais lhe agrada? Por que?

Sou filiado ao que se costuma chamar de MPB, música popular brasileira, mas que é um enorme guarda-chuva e que contempla diversos estilos. Pelo fato de eu ter nascido e vivido boa parte da vida no RS, tenho uma ligação forte também com o tango, a milonga e a música cigana da península ibérica. Ao mesmo tempo, sempre adorei o samba e, por isso, meu disco mais recente, de 2014, foi batizado de “Samboleria”, pela fusão da música latina com o nosso samba.

 

Você é compositor, cantor e até mesmo produtor musical. Dentre essas atividades, qual você mais gosta de exercer?

Isso dependo do momento. Cada coisa tem sua hora. Primeiro compor, depois ver como se vai interpretar e depois produzir as músicas, o disco, o show. Gosto de tudo isso. A composição é um momento mais solitário. Mesmo quando se trabalha em parceria, a atmosfera que rola é de garimpagem, de ouvir a si próprio e também receber os ecos do que está acontecendo no mundo, captar os sentimentos das pessoas através da própria frequência, como se eu fosse uma antena de rádio, O show é a hora de compartilhar isso com o público, de devolver para o Universo aquilo que me foi dado. Tudo acaba se complementando nessa totalidade que é o fazer artístico.

 

Como compositor, qual foi seu primeiro sucesso?

Foi “Garganta”, com Ana Carolina. Eu já tinha 3 discos, e já havia feito 5 ou 6 turnês na Europa, mas ainda não tinha uma canção de grande repercussão, quando essa música foi lançada em 1999. Naquele momento houve uma virada para mim como compositor e para Ana como artista. A partir dali, nossos destinos ficaram entrelaçados de uma forma muito bonita, muito positiva. O Brasil queria ouvir aquilo, aquela letra naquela voz linda e potente e o sucesso foi instantâneo.

 

Ainda nessa pergunta, você já compôs para muitos artistas. Qual a sensação de ver uma obra sua fazendo sucesso?

É algo muito compensador. Foi também, logicamente, com “Garganta” que tive pela primeira vez essa sensação, de estar no meio de uma plateia enorme que cantava em coro os versos e a melodia que eu havia criado. Hoje são quase 300 músicas com gravações de músicas minhas por outros artistas, e, mesmo assim, cada vez que isso acontece, rola aquela sensação de que escolhi o caminho certo.

 

Quais são seus projetos pro futuro?

Agora estou no meio de uma turnê comemorativa, de 38 anos de carreira, que teve seu início no Brasil, mas que se estenderá por vários países da Europa entre 3 de agosto de 5 de outubro. Há alguns convites para gravar um disco em format de voz e violão, que é formato desse novo show, chamado “Luz Acesa”.
Tenho um DVD gravado, com cenas de um show ao vivo em Porto Alegre e um documentário que comecei em 2011, em que apresento o processo de composição com artistas de várias partes do mundo. Esse trabalho foi interrompido por razões pessoais, mas está sendo retomado agora. E há também um DVD documental que estou fazendo com três parceiros com quem desenvolvo um projeto coletivo desde 1997. São três cantautores bárbaros, extremamente criativos que são muito conhecidos no cone sul: Bebeto Alves, Gelson Oliveira e nelson Coelho de Castro.

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

Há muitas histórias sobre o processo de composição de algumas músicas e eu as conto nesse novo show. Elas ficam melhores quando faladas e eu não conseguiria agora, em poucas linhas resumi-las de forma escrita. A partir, da segunda semana de julho, vou começar no meu canal do Youtube, a contar trechos da minha biografia musical.

 

Fique a vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito?

Gostaria de convidar os leitores para conhecerem um pouco melhor a minha obra, minha discografia e meus vídeos. Seguem aqui os principais links.
https://www.youtube.com/channel/UCPrtkQqmBnyYCTyJGWS74NQ?view_as=subscriber

https://open.spotify.com/artist/6qw3Nr0ArcakRImsfghYmq

 

 

 

 

Idealizador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Viciadíssimo em música brasileira. Apaixonado pelo Brasil e pelos seus grandes artistas.

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